Ale: A Família de cervejas que acompanha a civilização desde a Idade Média

As cervejas podem ser divididas em três famílias!  Hoje, o Blog do CluBeer falará sobre a família Ale, que são do grupo de cervejas de alta fermentação. Já falamos sobre a fermentação espontânea (Lambics).

Derivada do nórdico antigo (dialetos da Idade Medieval da região norte-européia), a palavra “ale” significa cerveja. Sua tradução de Inglês para Português mantém o mesmo significado. Na história da mitologia nórdica há referências sobre leveduras de alta fermentação: Aegir (deus dos mares e oceanos) e sua esposa Ran conceberam nove filhas, e se reuniam para fermentar cerveja ou hidromel em um caldeirão. Além do fator mitológico, cervejas da família Ale eram bastantes consumidas pelos Vikings, exploradores que invadiram e colonizaram áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte. Ao analisar a sequência de ações que se desenrolam na linha do tempo, fica evidente a importância da bebida naquela civilização e no mundo milenar, quando o líquido também era consumido como alimento e/ou acompanhamento de refeições – juntamente com o pão.

A principal diferenciação das cervejas da família Ale quando comparadas às Lagers, é justamente o fato de serem fermentadas a partir de temperaturas mais elevadas, que geralmente variam entre 15°C e 25°C. Enquanto as Lagers possuem baixa fermentação, as Ales são produzidas com leveduras que sobem à superfície durante o processo, sendo por isso chamada de “cervejas de alta fermentação”.

É este processo que faz com que as ales sejam mais complexas e aromáticas, quando comparadas às cervejas das outras famílias. Vale ressaltar que elas podem ser feitas a partir da cevada maltada, trigo, centeio ou outros cereais malteados.

Um fator característico que vale destacar é a presença do lúpulo (um conservante natural). Somente há quatro séculos este ingrediente passou a ser encontrado na composição de todos os exemplares das três famílias de cerveja. Antes do século XV, este objetivo era parcialmente alcançado graças a uma mistura de ervas e especiarias chamada Gruit.

Alguns Estilos de Cerveja da Família Ale

Com perfis tão amplos como os descritos acima, as ales subdividem-se em inúmeros estilos bastante diferentes entre si. Abaixo, vamos conhecer os mais encontrados e consumidos no mercado:

Altbier: Especialidade da cidade de Düsseldorf, na Alemanha, este estilo de cerveja possui coloração castanha, sabor de malte e presença marcante de lúpulo no aroma e sabor, além suaves notas frutais. “Alt” significa velho em alemão, por isso as cervejas Altbier são caracterizadas por sua maturação que dura até oito semanas. Exemplo: Bamberg Alt.

Brown Ale: Cervejas inglesas que utilizam maltes caramelizados em sua composição. Possuem notas suavemente carameladas, sabor ligeiramente adocicado, baixo amargor, sabor de lúpulo e coloração castanha (que varia do avermelhado ao marrom escuro). Exemplo: Newcastle Brown Ale.

India Pale Ale (IPA): Cerveja norte-americana que resgata a fórmula da antiga bebida inglesa criada para saciar as tropas britânicas em suas longas viagens para a Índia. Possuem forte presença de lúpulo (utilizado como conservante natural) e coloração que varia do amarelo dourado ao acobreado. Exemplo: Anderson Valley IPA.

Kölsch: Oriundo da região de Colônia, na Alemanha, a denominação está protegida por lei para 24 cervejeiras da área. Estas bebidas devem ser consumidas o mais rápido possível, pois são sensíveis e tendem a oxidar facilmente. Feitas com o melhor lúpulo alemão, elas são bem carbonadatas e possuem sabor frutado. Exemplo: Gaffel Kölsch.

Strong Scotch Ale: As cervejas deste estilo de coloração marrom claro a escuro, maltadas e possuem graduação alcoólica elevada, que varia de 7,0% a 11,0%. Apresentam pouca presença de lúpulo. Exemplo: Traquair House Ale.

Stout: Cervejas com coloração escura devido à presença de malte e, em alguns casos, cevada torrados. Exemplo: Murphy’s Irish Stout.

 

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