As Novas Trapistas

Já falamos aqui no blog algumas vezes sobre as cervejas trapistas. Durante muito tempo existiam apenas 7 trapistas no mundo: Achel, Chimay, La Trappe, Orval, Rochefort, Westmalle e Westveleteren. São cervejas já conhecidas e relativamente fáceis de encontrar no Brasil.

De 2012 pra cá mais 3 cervejas ganharam o selo “Authentic Trappist Product“, ampliando o total para 10 trapistas no mundo: Stift Engelszell (Áustria), Zundert Trappist (Holanda), e Spencer Trappist Ale (Estados Unidos).  Estas ainda são pouco conhecidas no Brasil, e por isso merecem a atenção do texto de hoje.

 

Antes de falar sobre elas, vamos relembrar: cervejas trapistas são produzidas pelos monges da “Ordem Cisterciense da Estrita Observância”. Elas são legalmente reconhecidas e protegidas pela lei que dita as regras para que se possa usar o selo:

  1. A cerveja deve ser produzida dentro do monastério, pelos próprios monges ou sob supervisão deles.
  2. A produção da cerveja deve ter importância secundária dentro do monastério.
  3. O negócio não deve visar lucro. A renda obtida com a cerveja deve ser revertida para manter o monastério, e o excesso deve ser destinado à caridade.
  4. As cervejas são sujeitas a um acompanhamento de qualidade.

 

 

Stift Engelszell

 

O monastério austríaco ganhou o selo trapista em maio de 2012. Fundado em 1293 e reconstruído no século 18, os monges precisavam de recursos para financiar seus projetos e fazer reparos. A idéia de produzir cerveja veio do dono de uma pequena e familiar cervejaria próxima ao local: Peter Krammer, da Brauerei Hofstetten.

 

Segundo ele, a idéia das receitas das cervejas vieram de inspiração de viagens pela Bélgica. Eles queriam fazer uma cerveja trapista, porém sem copiar nenhuma receita das trapistas já existentes.

E então surgiram as 2 cervejas da Stift Engelszell:

Gregorius, uma dark ale com 9,7% de álcool, produzida com lúpulo da região e uma boa dose do mel local. O mel contrabalanceia o alto teor alcoólico, mantendo alta a sua drinkability.

 

Benno, uma farmhouse ale com teor alcoólico de 7%, de corpo leve e lúpulo bem presente no aroma e no sabor.

 

 

Zundert Trappist

 

Depois de reduzirem suas práticas agrícolas ao longo das últimas décadas, os monges da Maria Toevlucht Abbey estavam à procura de uma nova fonte para ajudar a financiar sua abadia. E foi por este motivo que nasceu a cervejaria trapista, em dezembro de 2013, em Zundert (Holanda). A localização deu origem ao nome da única cerveja que eles fabricam, a Zundert Trappist.

 

A cerveja é uma ale com 8% de teor alcoólico, com segunda fermentação na garrafa. Os próprios monges a definem como “uma cerveja um pouco rebelde – uma cerveja complexa, que não revela imediatamente os seus segredos.” A cerveja tem um começo doce (tofee) com um aroma picante, seguido por um amargor agradável que permanece muito tempo na boca.

 

 

Spencer Trappist Ale

 

Por mais de 60 anos, os monges da St. Joseph’s Abbey se obtinham seus recursos financeiros para manutenção do monastério através de confecção de peças de vestuário e produção de conservas, incluindo doces e geléias. Mas ultimamente estes recursos não estavam sendo suficientes, e foi então que eles voltaram os interesses para a fabricação de cerveja.

 

Como eles não sabiam nada sobre o assunto, dois monges foram enviados para treinamento em monastérios belgas, e um cervejeiro belga foi contratado para cuidar da produção.

 

Depois de testarem várias receitas, decidiram que o que agradava mesmo era a cerveja produzida para consumo dos monges. A Spencer Trappist Ale é uma cerveja teor alcoólico de 6,5%, com toques frutados, um final seco e leve amargor de lúpulo.

 

O selo trapista foi adquirido em 2013, e esta é a primeira trapista no continente americano (Estados Unidos).

 

No Brasil existem monastérios da Ordem Cisterciense da Estrita Observância. Seria ótimo se algum cervejeiro inspirasse os monges por lá, né?

 

Por Gisele Russano

leia mais em http://www.oclubedacerveja.com.br/2017/07/04/as-cervejas-trapistas/

 

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