Cervejas de Abadia: Conheça a tradição dos monges

Uma Cerveja Trapista é uma Cerveja de Abadia, mas não necessariamente uma Cerveja de Abadia é uma Cerveja Trapista. Confuso? Sim, é um pouco mesmo. Para explicar o que é uma, é impossível não falar da outra e contar a história de como tudo começou…

 

Durante muitos e muitos anos, entre a antiguidade e a idade média, o conhecimento sobre a fabricação de cervejas foi mantido e cultivado em monastérios. Em épocas modernas, ainda há alguns que se destacam na produção da bebida, como os da Ordem Cistercience da Estrita Observância, mais conhecida como Ordem Trapista, fundada em 1664.

Pela sua renomada qualidade, a partir da metade do século 20 as Cervejas Trapistas começaram a inspirar mestres cervejeiros do mundo todo a reproduziram seus estilos tradicionais fora dos limites religiosos. O problema começa quando, não raramente, as cervejarias usavam o termo “cerveja estilo trapista” ou “tipo trapista” nos rótulos, mesmo sem ter nenhuma ligação com os mosteiros.

 

A confusão de autoria teve seu ponto alto em 1960 quando a Veltem Brewery lançou uma cerveja chamada Veltem Trappist. Foi então que os monges do da Abadia D’Orval entraram com um processo legal para solucionar o problema. Em 1962 uma lei da Câmara Belga do Comércio decretava: “cerveja trapista é somente aquela que é produzida por monges cistercienses e não uma cerveja no estilo trapista, a qual deve ser denominada Cerveja de Abadia”.

As Cervejas de Abadia

 

Portanto, as Cervejas de Abadia são cervejas inspiradas nos estilos tradicionais dos monges trapistas, mas não necessariamente são produzidas por eles. Os estilos são: Single, Dubbel, Tripel, Blond Ale, Belgian Pale Ale, Pale Strong Ale e Strong Dark Ale.

Todos eles possuem características comuns: são de alta fermentação (Ales), fabricadas em temperaturas mais elevadas (entre 18º C e 26ºC); muitas delas são mais alcoólicas (6 a 9,5% abv) e é raro o aroma de lúpulo; condimentos e diferentes tipos de açucares também são frequentemente utilizados.

 

Curiosa também é a explicação histórica para a origem dos estilos básicos: Single, Dubbel e Tripel. Segundo Michael Jackson, o Beer Hunter, essas cervejas eram feitas a partir de um único processo de fabricação. A primeira água retirada continha mais açúcar e fazia a cerveja mais forte (Tripel), servida aos visitantes da Abadia; a segunda água, obtida na lavagem do bagaço, uma cerveja de teor alcoólico mediano (Dubbel), e era reservada para dias festivos; e a terceira, mais fraca (Single), era a cerveja do cotidiano, com baixo teor alcoólico (em torno de 3,5%). Hoje as características são bem distintas e a Single não é servida fora dos mosteiros e não é um estilo definido nos guias de estilos internacionais.

 

Mais uma curiosidade: hoje são 12 Cervejarias Trapistas. Duas delas receberam autorização para usar o selo no final de 2013: a Zundert Trappist, na Holanda, e a Spencer Trappist Ale, nos Estados Unidos – a primeira fora da Europa. Elas somam hoje com outras: as belgas Achel, Chimay, Orval, Rochefort, Westvleteren e Westmalle; a francesa Mont des Cats, a austríaca Stift Engelszell e a holandesa La Trappe.

 

E agora? Entendeu a diferença? Qual a sua Cerveja de Abadia preferida? Conte para a gente nos comentários!

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