10 mitos sobre a cerveja

A cerveja artesanal vem conquistando mais e mais o gosto dos brasileiros, e por causa disso as pessoas estão começando a entender a variedade de sabores, de estilos, e a importância de se consumir um produto de qualidade. Este é definitivamente um fato para se comemorar (com um belo brinde!). Mas com o assunto em pauta, acabam-se criando também mitos e idéias erradas sobre a cerveja. Queremos aqui acabar de uma vez por todas com alguns deles.

 

  1. Cervejas escuras são mais fortes ou mais pesadas

Já explicamos aqui que a cor da cerveja dá-se principalmente pelo malte: quanto maior o grau de torra do malte, mais escura a cerveja. Isso não significa que ela tenha maior teor alcoólico ou seja mais pesada. Se você duvida, deguste uma Schwarzbier (estilo alemão): ela apresenta coloração marrom escura ou preta mas tem corpo médio-baixo e teor alcoólico entre 3,8% e 5%.

 

  1. Quanto mais fresca, melhor.

Esta regra até se aplica para algumas cervejas, principalmente para as de coloração mais claras.  Cervejas bem lupuladas, como as IPAs, também são melhores quando frescas. Mas você já ouviu falar das cervejas de guarda? São aquelas que devem desenvolver novos e interessantes aromas e sabores com o passar do tempo, se bem armazenadas. Alguns dos estilos de guarda são as belgas Gueuze e Bière de Garde, e as inglesas Imperial Stout e Old Ale. É recomendável armazenar sua cerveja de guarda em posição vertical, em local com pouca luz e temperatura controlada, para que você possa melhor apreciar as características  aprimoradas ou reforçadas com o envelhecimento.

 

  1. Cervejas em lata tem qualidade inferior às cervejas em garrafa

Já falamos aqui no blog dos benefícios das cervejas em lata: são simples de transportar e estocar, fáceis de reciclar, e geralmente mais baratas. Além disso, quando comparadas com a garrafa, as latas protegem melhor a cerveja de 2 de seus inimigos: a luz e o oxigênio. O mito é de que a cerveja em lata fica com gosto de metal. Isso não é uma verdade,  já que hoje em dia as latas tem uma espécie de película protetora, que impedem o contato do líquido com o alumínio.

 

  1. Cervejas sem álcool não são saborosas

A ideia errada existe principalmente porque as cervejas sem álcool mais disponíveis no mercado no Brasil são as mainstream (de massa), e não as especiais. Mas já explicamos aqui no blog: a cerveja sem álcool conserva todos os benefícios à saúde que uma cerveja comum proporciona, e quando bem produzida conserva também o sabor. Além disso ela é geralmente menos calórica e ainda tem a vantagem de evitar a embriaguez.

 

  1. As cervejas da escola alemã não tem variedade

A Lei da Pureza (Reinheitsgebot) restringe os ingredientes da cerveja alemã aos 4 básicos – água, malte, lúpulo e levedura. E é por causa desta restrição de ingredientes que algumas pessoas tem a falsa ideia de que os estilos alemães não tem variedade. Se você tem esta opinião, te recomendo degustar uma Weizenbock, uma Kölsch e uma Rauchbier. São 3 estilos alemães super saborosos e com características bem diferentes. Depois disso tenho certeza que qualquer um perde este preconceito.

 

  1. Quanto mais lúpulo, mais amarga

Não necessariamente a quantidade de lúpulo usado numa receita, ou até mesmo um alto IBU (unidade internacional de amargor) são padrões para dizer que uma cerveja é mais amarga que outra. Isso porque a sensação de amargor é relativa, e também varia muito de acordo com os outros ingredientes usados na receita. Por exemplo, o amargor pode ser menos perceptível em uma cerveja com residual doce, embora ela tenha grande quantidade de lúpulo em sua receita. Além disso, uma cerveja pode ter grande quantidade de lúpulos de aroma (menos ricos em alfa ácidos, responsáveis pelo amargor), e não ter alta percepção de amargor.

 

  1. Cerveja faz mal à saúde

Este assunto já é muito bem abordado por aí, mas não custa ressaltar que esta afirmação é uma inverdade. A cerveja é isotônica (contém sais minerais e carboidratos) e rica em polifenóis e vitaminas que são indispensáveis para o nosso corpo. O consumo regular e moderado de cerveja reduz as chances de infartose outras doenças cardiovasculares, ajuda a controlar o colesterol, traz benefícios para o nosso sistema imunológico, previne o desenvolvimento de Alzheimer, ajuda a tratar insônia e outros distúrbios do sono, combate a gripe. Estes e outros benefícios já foram comprovados em pesquisas pelo mundo.

 

  1. Cerveja e doce não combinam

Já explicamos harmonização de maneira descomplicada aqui no blog. Sendo por semelhança ou por contraste, é perfeitamente possível harmonizar cerveja com doce. Se você duvida, tente uma Fruit Lambic com brigadeiro de chocolate branco, uma Stout com bolo de chocolate ou banana caramelizada com uma Weizenbock. Tenho certeza de que pelo menos um deles vai agradar seu paladar!

 

  1. Grandes cervejarias produzem cervejas de má qualidade

Este é um assunto que gerou polêmica com os últimos acontecimentos do mercado. Macrocervejarias não produzem somente cervejas com cereais não-maltados – as famosas “cervejas de milho”. É importante entender que existe mercado (e é enorme no Brasil) para as cervejas mainstream (as não-artesanais), e é por isso que as macrocervejarias a produzem, a qualquer custo.  Mas as gigantes obviamente estão de olho no crescimento do mercado das cervejas especiais, e estão comprando microcervejarias. Isso não significa, necessariamente, que as cervejas adquiridas por ela perderão a qualidade.

 

  1. Especialistas em cerveja são chatos

 

Tá bom, a gente tem que admitir que alguns são, assim como em qualquer profissão. Mas dê uma chance para aqueles que estudaram sobre cerveja poderem te mostrar que a teoria pode ser realmente interessante, sem ser chata! Espero que o conteúdo deste post seja um motivo para você discordar deste mito! 🙂

Por Gisele Russano

Be the first to comment

Leave a comment

Your email address will not be published.


*